PONTE RODOFERROVIÁRIA (FERRONORTE)

Autores:
Fábio Dias, Fábio dos Santos, Guilherme Macedo, Nathalie dos Santos, e
Isaque Oscar Belarmino

Introdução

A construção da ponte rodoferroviária (ferronorte) foi feita sobre o rio Paraná. Ela propiciará o ligamento da região Centro-Oeste (uma das principais regiões agrícolas do país), sendo em maior quantidade a produção de soja com os portos de Sepetiba (RJ) e Santos (SP), através de um corredor 1.300 km quilômetros de extensão. Além disso, esta obra facilitará a interligação com a hidrovia Tietê-Paraná e com os portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC).

O primeiro trecho da Ferronorte de 400 km foi construído entre Aparecida do Taboado (MS) e Alto Taquari (MT), o investimento da empresa privada foi de cerca de R$ 1.300.000.000,00 no montante (um bilhão e trezentos milhões de reais). Na divisa com o estado de São Paulo, na cidade de Rubinéia a Rodoferroviária se interligará com a FEPASA (Ferrovia Paulista S.A); sendo a partir da região do Alto Taquari, Mato Grosso do Sul, a ferrovia segue para Cuiabá (MT), onde o projeto prevê uma bifurcação da ferrovia formando um Y, seguindo na direção Noroeste até Porto Velho (RO), numa extensão de 1.500 km e na direção Norte com mais 200 km até Santarém (PA).[5]

A construção da ponte rodoferroviária em 1998 sobre o Rio Paraná possibilitou a expansão da Ferronorte até o Estado de Mato Grosso, além disso, o terminal ferroviário de Alto Taquari foi concluído em 1999. O prolongamento da malha ferroviária possibilitou a expansão da produção de soja em Mato Grosso e a sua exportação pelo Porto de Santos.

Localização

No ano de 1999, com a Ponte Rodoferroviária construída, ligando o Estado do Mato Grosso do Sul ao Estado de São Paulo, houve um aumento da capacidade potencial para transportar soja, e de toda a soja destinada à exportação pelo Porto de Santos, na ferroviária teve um transporte de 56% naquele ano. Em 2000, a participação da ferronorte no corredor passou para 72% e de 2001 a 2003 estabilizou-se em 76%, acompanhando o crescimento de 35% no período, mas não conseguindo aumentar sua participação nas exportações do complexo soja.

Em 2004, com o aumento significativo das exportações pelo Porto de Santos, a participação da ferroviária cai 23%, de 76% para 58%.[6]

Construção

É a primeira ponte construída no Brasil com os sistemas ferroviário e rodoviário sobrepostos, sendo constituída por um trecho de 2.600 m em estrutura metálica (26 tramos de 100 m), tendo a existência de dois viadutos de acesso em concreto, medindo 720 m (junto a margem esquerda) e 450 m (junto a margem direita). Foram consumidos 64.000 m3 de concreto, sendo 25.000 m3 destinados apenas à execução da fundação, que foi constituída por tubulões com até 55 m de coluna d’água.[7]

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Figura 1- Vista lateral da ponte [1]

Características

A estrutura metálica foi fabricada totalmente em aço de alta resistência mecânica e também à corrosão atmosférica, com o alto consumo de 20.700 toneladas. A estrutura metálica é constituída por duas traves treliçadas (formando um V) de banzos paralelos contraventadas entre si, com tabuleiros ferroviário e rodoviário juntos aos banzos inferior e superior, respectivamente. O que compõem as traves são em seção fechada (caixão) soldadas, e todas as ligações de campo são soldadas pelo processo arco elétrico com eletrodo revestido. A seção transversal da ponte está ilustrada na Figura.

O tabuleiro ferroviário é constituído por longarinas de aço apoiadas nas transversinas, e os trilhos assentados sobre dormentes de madeira. O tabuleiro rodoviário é constituído por vigas metálicas (transversinas e longarinas), pré-lajes de concreto com capeamento executado in loco e por fim, capa asfáltica de acabamento. Foram montados quatro trechos em terra, sendo dois em cada margem: dois medindo 600 m (seis tramos) e dois, 700 m (sete tramos), sendo posteriormente lançados até atingirem sua posição definitiva. Como o processo de lançamento envolveu contínuo deslizamento da estrutura sobre os apoios, as extremidades dos trechos atingiram um balanço de 100 m, além da atuação de uma elevada força concentrada nas barras do banzo inferior, em posições não coincidentes com os nós. Um dos trechos foi instrumentado com extensômetros elétricos e durante uma operação de lançamento foram medidas as deformações específicas e avaliadas as tensões em diversos pontos da estrutura..[7]

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Figura 2- Sistemas de pilares e trechos [2]

Limitações

Os ventos fortes chegando a 75 nós e ondas de até dois metros de altura foram algumas dificuldades encontradas na execução da obra. Outro aspecto relevante foram as variações de profundidades com relação ao relevo encontrado nas profundidades do rio Paraná, além de rochas basálticas extremamente resistentes as perfurações; sem contar o intenso tráfego de balsas em meio a execução da obra.

Curiosidades

Como a estrutura da ponte é formada por muitos tramos idênticos, foi adotado um tramo típico para a realização da prova de carga. Tendo em vista as facilidades de acesso para instrumentação e medição e principalmente a redução das distâncias visadas para as leituras topográficas, foi adotado o segundo tramo a partir da margem esquerda. A prova de carga foi realizada no dia 21 de abril de 1998, com a associação de composição ferroviária e rodoviária. A composição ferroviária consistiu de uma locomotiva mais vagões carregados com lastro (pedra britada), correspondendo a um carregamento de aproximadamente 84 kN/m. A composição rodoviária consistiu de caminhões basculantes carregados com pedra britada, com peso unitário variando entre 250 kN e 350 kN.

Glossário

 Tubulão: Termo utilizado no Brasil para designar um tipo de fundação profunda semelhante a uma estaca moldada. A perfuração é executada com recurso a um trado mecânico, sendo depois colocada a armadura e finalmente efetuada a betonagem;

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Figura 3- Tubulão [3]

Banzo: Termo que define as abas de uma viga metálica, zona da viga resistente aos momentos flectores;

Extensômetro elétrico: É um dispositivo utilizado para medir deformação a partir da variação da resistência elétrica;

Rocha basaltica: é uma rocha ígnea eruptiva de composição rica em silicatos de magnésio e ferro e com baixo conteúdo em sílica, que constitui uma das rochas mais abundantes na crusta terrestre;

Trado: Elemento metálico helicoidal destinado à perfuração de solos, rochas e pavimentos através de movimentos giratórios;

Betonagem: Aplicação de betão em obra. Colocação de argamassa de cimento em locais específicos com o objetivo de executar elementos construtivos estruturais ou não estruturais;

Neoprene: É a combinação de uma fatia de borracha expandida sob alta pressão e temperatura, revestida de tecido dos dois lados ou de apenas um, muito usado na construção civil para a composição de pontes, viadutos, passarelas e outros similares.

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Figura 4- Ilustração do Neoprene [4]

REFERÊNCIAS

  1. FONSECA, Dilson . Correio de Corumbá: NOS TRILHOS DA VIDA – FERRONORTE e PONTE RODOFERROVIÁRIA. 26 de Fevereiro de 2016.Disponível em: <http://www.correiodecorumba.com.br/?s=noticia&id=22150&gt;. Acesso em: 16 maio 2017.
  2. CENTRO Oeste- Brasil: Ferronorte – Ferrovias Norte Brasil. Disponível em: <http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/Ferronorte/ponte-Rodoferroviaria-rio-Parana-perfil-tecnico-0.shtml&gt;. Acesso em: 16 maio 2017.
  3. ROCA: TUBULÕES SOBRE AR COMPRIMIDO. Disponível em: <http://www.rocafundacoes.com.br/tubuloes-sobre-ar-comprimido.html&gt;. Acesso em: 16 maio 2017.
  4. EDIFIC’ AM: NEOPRENE??? O QUE É ISSO????. QUARTA-FEIRA, 16 DE JANEIRO DE 2013. Disponível em: <http://edific-am.blogspot.com.br/2013/01/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html&gt;. Acesso em: 16 maio 2017.
  5. DE SOUSA, Paulo Daniel Batista; PREDEBON, Eduardo Angonesi; FAG, Milena Brustolin Mohr. Uma análise da mudança organizacional: um estudo de caso de uma instituição de ensino superior.
  6. FILARDO, Maria Lúcia Rangel et al. A logística da exportação de soja do Estado de Mato Grosso para o Porto de Santos. Revista de
  7. Economia Mackenzie, v. 3, n. 3, 2009.
  8. MALITE, Maximiliano et al. AUSCULTAÇÃO DA ESTRUTURA METÁLICA DA PONTE RODOFERROVIÁRIA SOBRE O RIO PARANÁ DURANTE O LANÇAMENTO E PROVA DE CARGA. Minerva, v. 1, n. 1, p. 9-16.
  9. Engenharia Civil, Disponível em: https://www.engenhariacivil.com/dicionario/?s=tubul%C3%A3o /. Acesso em: 15 de abr. 2017;
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